Play with boys


Internet é algo. Eu adoro mesmo. Então tem o blog da Folha sobre eleições americanas. Eu presumo que todo mundo ganhe dinheiro pra escrever esse blog. Daí eles colocam um post meio perdido assim:

Os delegados democratas estão votando, Estado por Estado, mais ou menso 85% dos votos para Obama e 15% para Hillary, de consolação, "para fazer história", como eles dizem. Os discursos são engraçadíssimos. A Califórnia, com seus mais de 400 votos, "passou". Mas o sucesso mesmo da noite deve ser a secretária do partido, Alice Travis Germond. Com sua voz de professora de pré-escola, cheia de ternura, ela é a responsável por chamar os votos, e parece estar tendo o momento de sua vida.

Eu, claro, fiquei pensando no que significava a Califórnia "passar". Tipo. Protesto? Preguiça? Daí um comment:

Não foi que a Califórnia agiu unilateralmente, foi um trabalho em conjunto. É costume durante a chamada de estados alguns deles passarem a vez sem votar, de modo planejado a que o estado do candidato acabe sendo aquele cujos votos alcance o mínimo necessário para a nomeação. Neste caso, a Califórnia passou, Illinois passou, e depois de alguns outros Novo México cedeu o chão de volta para Illinois, que então cedeu para Nova Iorque aproveitar e sacramentar a coisa através da Hillary. [Leandro Martins] [www.trekbrasilis.org]

Tipo. Né? Fica evidente que a autora do post não tinha idéia do trâmite. Me lembro a primeira vez que eu assisti a uma prova de salto à distância. E a saltadora veio correndo e desistiu do salto. Eu fiquei inconformada. Dela viajar até uma Olímpiada pra desistir de saltar. Porque eu não sabia. Que podia tentar três vezes. A moça do blog da Folha pensou que a Califórnia desistiu do salto. E o Leandro explica num minuto. E a grande imprensa chupa o dedo. E a gente fica pensando mesmo em quantas informações aos pedaços recebe etc. E o quanto esse povo não consegue nem estudar o que está cobrindo. Pelamor.

Eu achei isso super grave. Não consigo imaginar algo parecido acontencendo com o Lula por exemplo. Me assustou mesmo. Vi no Jornal Da Globo ainda por cima. E Waack disse que Evo Morales se refugiou no Brasil por algumas horas. Então não sei se é grave mesmo. Ou se me impressionei com o telejornal. Tô com tanta dificuldade de discernir atualmente. As coisas que eu acho mesmo. As coisas que me fazem achar. Tô com alta ou baixa percepção de ideologia. Um dos dois.



Escrito por Mary W. às 03h53
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Eu gostei bastante. Só faz a gente ficar mais triste. A Chelsea narrando, claro, torna tudo bastante emocionante. Por que não fez na campanha? Porque na campanha não é isso que tem que fazer. Na campanha tem que dar porrada. Se faz isso, viro campanha-mulherzinha. Tudo que o mundo não precisa. E eu não mereço.


Bem. Esse Barack Obama tem que ir agora, né? Porque, na boa. Ele está empatado com o candidato do George Bush. Francamente.



Escrito por Mary W. às 22h48
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O moço tá no MIT. Veja bem. No MIT. E usa a internet pra procurar essas coisas. Toma vergonha, moço.



Escrito por Mary W. às 18h39
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Há. Não deu nem tempo de postar. Que o carola já adiou o julgamento. Embaçador da República.

 

Ele que aprontou na célula-tronco também. Nem lembro o que ele fez. Se pediu vista, votou contra ou o quê. Mas lembro que ele deu uma canseira. Vou procurar uma foto dele.



Escrito por Mary W. às 18h05
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A fer falando que o STF tá bombando. Eu nunca fui grande indigenista. Conto nos dedos os índios que eu já vi pessoalmente.  Mas a discussão sobre  demarcação contínua X demarcação em ilhas me parece uma dessas coisas inventadas e que de repente tá todo mundo discutindo como se tivessem sempre estado aí. Algo parecido aconteceu com o boom do tomate seco, já muito discutido em toda blogofesra. Um bando de gente que nunca tinha comido adotando uma postura "não fico sem". E agora ficam aí. Como se a discussão a respeito das reservas fosse essa. Contínuas ou em ilhas. Sendo que a discussão é bem outra. É que a maioria dos interessados se aproveita do senso comum* a respeito. É muita terra, é o que a maioria pensa. Menas terras, é o que todo mundo acha no fundo. O mais patético da discussão, entretanto, é esse argumento. Contrabandeado do Kosovo ou da Ossétia do Sul. Não sei bem. Que um dia as raposas do sol podem querer a independência e entrar em guerra separatista. Por que é, né? Um lance que acontece por aqui o tempo todo. Então a gente tem que ficar esperto. Daí advogado dizendo que se as raposas assim fizerem, o Brasil vai lá recuperar a soberania. A Folha passa mal. E não se aguenta. E coloca no infográfico dela. Que a reserva é do tamanho de 11 cidades de São Paulo. E é essa a questão. E então é por aí mesmo que deveria ser o debate, eu acho. Sem medo de perguntar. Pra poder escancarar esse preconceito mesmo. E esse dilema. De querer garantir direitos aos povos sem querer abrir mão de porcentagens significativas de terra. Porque reserva é isso. É uma parte significativa. Adorei o Dalmo Dallari que disse:

"Não tenho qualquer dúvida de que uma interpretação correta da Constituição assegura os direitos dos índios porque a Constituição diz que são indígenas as terras ocupadas por eles. Então toda essa discussão em torno da demarcação é uma fantasia, na verdade, maliciosa para fingir que existe um problema... A demarcação constata, traça os limites precisos, mas não é da demarcação que decorre o direito."

E a entrevista é toda ótima, eu acho. E a questão pra mim é aquela que eu já falei. Queremos ser um país pluri-multi-mega-cultural. Sem por a mão no bolso, não rola. Se o brasileiro, intimamente, acha que 11 São Paulo é muita coisa pra um bando de incivilizado. Assuma. Tatue racista na testa e dê as tais terras pra esses arrozeiros bandidos. Que são "brancos" e então devem merecer mais. Como eu não entendo do assunto, fico na minha. Só com essa impressão. Mas tudo indica que o STF vai dar uma chinelada em contestador de terra indígena. E enfiar um nabo no cu do Francisco Rezek.


*Que deita e rola, sempre, no direito de ser estúpido.

Ah, sim. Dalmo Dallari também perde a paciência:

Essa área de 1,7 milhão de hectares é realmente necessária para os 19 mil índios?
-
Há muita encenação em torno dessas áreas. Há, na verdade, um faz-de-conta para dar a impressão de que há muita terra para pouco índio, mas daí eu volto ao meu argumento: há muita mansão para pouco branco. Então vamos dividir as mansões dos brancos.

A-DO-RO.

Sobre o Estado de Roraima ser o dono das terras. Uma entrevista idiota aqui. E a piadinha aqui.

A-DO-RO (2)

 



Escrito por Mary W. às 18h04
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James Carville, o marqueteiro que criou o legendário slogan "é a economia, estúpido" para a vitória de Bill Clinton em 1992, escreveu no site da CNN que o democrata tem que parar de se comportar como um professor que pesa prós e contras e se mostrar "indignado", "revoltado" com qualquer coisa, do aumento do custo de vida à perda de prestígio dos EUA.


O blog da Folha para eleições americanas. Eu concordo demais com isso aí. Porque o estúpido, no final das contas, é o eleitor. Que não tolera nuances. Nem sei se é bom negócio ser presidente dos EUA atualmente. Vai todos entrar pra história como capitão da queda do império. Esse papo de soft power. Também citado no blog da Folha. Um senhor Robert Kagan diz que a China ou a Rússia não exercem o soft power que os americanos exercem. Não mesmo. Não existe um chinês way of life. Embalado e vendido mundo afora. Precisa só ver mesmo. Se não existe ainda (mas está sendo providenciado). Ou se nunca existirá. Porque as discussões a respeito do multiculturalismo foram tão intensas no fim do século passado e tal. E talvez as novas potências não façam uso tão agressivo da dominação cultural. E talvez seja por conta da apolaridade mesmo. Sei que mesmo durante a Guerra Fria. A Rússia mandava comunismo pro resto do mundo. Mas nunca esse soft power. Você não vê ushanka em Cuba. Nem strogonoff você vê em Cuba. Sobre as pesquisas que colocam a Marta (17 pontos!) na frente do Alckmin. Acho pouco e bato palma. Agora vão ficar lá. Geraldo e Kassab se matando pra ver quem vai pro segundo turno. Não podem mais arriscar e bater nela. Porque o outro sobe. E assim por diante. Da parte que me toca, vou ficar chocada. Se o PSDB não estiver na final. Mas bem chocada mesmo.

A outra boa notícia sobre eleções é que Paula Toller gravou um jingle pro Gabeira.

Os dias estão simplesmente fodidos. Amanhã é o quadro vivo. Veja. Nessa minha nova função, eu tenho uma chefe. E ela não tem nada a ver com o quadro vivo. E ela olha torto pra isso. Já que fica sob jurisdição da minha ex-chefe. Tipo agora. Eu tinha que estar comprando arame. Mas tô aqui. Escrevendo no blog. Alguns cenários não se resolvem com linha indiana. É preciso arame mesmo.



Escrito por Mary W. às 14h34
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